
17 anos após crime, júri dos acusados pela morte de professores é marcado
25/02/2026 - 08:46

Dezessete anos. Esse é o tempo que separa o crime brutal que tirou a vida dos professores Álvaro Henrique e Elisney Pereira do momento em que a sociedade finalmente verá os acusados sentarem no banco dos réus.
Em 17 de setembro de 2009, os dois dirigentes da APLB de Porto Seguro foram vítimas de uma emboscada na zona rural do município, em meio a um movimento grevista da categoria. Elisney morreu no local. Álvaro Henrique, então presidente do sindicato, resistiu por cinco dias, mas não sobreviveu aos ferimentos. O caso marcou profundamente a cidade e toda a região sul da Bahia.
Agora, quase duas décadas depois, o Tribunal de Justiça da Bahia marcou o Júri Popular para o dia 5 de maio, no fórum de Itabuna. O julgamento não ocorrerá em Porto Seguro justamente por conta da forte comoção que o crime ainda provoca.
A pergunta que ecoa é inevitável: por que a Justiça demora tanto? Dezessete anos representam uma geração inteira. Representam filhos que cresceram sem pais, colegas que envelheceram esperando respostas e uma categoria que nunca esqueceu.
A morosidade não apaga o crime, mas aprofunda a dor. Processos longos demais corroem a confiança da sociedade nas instituições e deixam a sensação de que o tempo pode ser um aliado da impunidade. Ainda que o devido processo legal deva ser respeitado, a duração excessiva fragiliza o próprio sentido de Justiça.
O julgamento que se aproxima não é apenas sobre responsabilização criminal. É também sobre memória. É sobre reafirmar que a violência contra educadores — profissionais que dedicam suas vidas à formação de outras — não pode cair no esquecimento.
Que, depois de 17 anos, a sociedade finalmente encontre respostas. E que a Justiça, mesmo tardia, cumpra o seu papel.
Publicidade.jpeg)
