Efeito Ômicron: Mais de 30 eventos foram cancelados ou adiados na Bahia neste ano
12/03/2022 - 09:36
Foto: Ilustrativa
Os decretos estaduais que limitaram o número de público nos shows e eventos da Bahia para até 1.500 pessoas, em decorrência da pandemia da Covid-19 e do aumento do número de casos pela variante ômicron, não atrapalharam apenas as festas de rua como Carnaval, Lavagem do Bonfim e Iemanjá, realizadas tradicionalmente no estado.
Mais de 30 eventos, públicos e privados, tiveram suas datas alteradas ou foram cancelados no estado desde janeiro deste ano. As chuvas que atingiram a capital baiana também tiveram participação nas justificativas de adiamento, principalmente dos eventos em orla ou ao ar livre.
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Vale lembrar que, em janeiro deste ano, o fator de transmissão (Rt) atingiu o maior registro desde o início da pandemia na Bahia. O indicador chegou à marca de 2,2, o que significa que 100 pessoas infectadas poderiam transmitir o vírus para 222 pessoas.
Já em fevereiro, o índice chegou a 0.19 - com o número de Rt abaixo de 1, considera-se que a pandemia está sob controle.
Romário Almeida trabalha com produção cultural, artística e executiva há nove anos, e explica que eventos que dependem de bilheteria, patrocinados ou não, não conseguem zerar os custos e gerar o mínimo de lucro com um público tão reduzido.
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“O resultado disso foi o aumento exponencial dos valores de ingressos que infelizmente acabam penalizando o público. Não é só essa razão que justifica os valores altos, mas esse com certeza é um importante motivo”, conta.
O produtor ainda destaca que eventos geram, naturalmente, aglomerações, e que acredita que os decretos municipais não foram suficientemente explícitos quanto ao critério do número de pessoas permitidas. “Sobretudo nesse momento que pulamos de 1.500 para 8.000 pessoas quase que repentinamente”, afirma.
Assessor de imprensa na Isé - Música Criativa, Vinícius Cerqueira conta que alguns ensaios de verão do Afrocidade foram adiados no início deste ano por medidas de segurança e que as restrições estaduais foram prejudiciais no sentido de não ter “público pagante o suficiente para cobrir custos.”
Com a recente ampliação do número de público permitido nos eventos para 8 mil pessoas e 50% da capacidade do local (veja aqui), os profissionais estão otimistas com a retomada do setor.
“É um respiro para o setor cultural. É uma cadeia produtiva com muitos profissionais diretos e indiretos, empresas de pequeno e grande porte, que veem nesse momento a oportunidade de retomar as atividades com segurança”, diz Romário.
Há também um otimismo muito grande em relação aos festejos juninos. Vinicius conta que as perspectivas são as melhores possíveis, e que com o aumento do público, a realização de eventos maiores e com artistas de fora do estado já são cogitados.
Romário acredita que, até o período, as condições já garantirão festas como só o Nordeste sabe fazer. “Após dois anos sem a festa, será um reencontro muito potente. Estamos na torcida para que estejamos seguros para fazer um excelente São João em 2022”, afirma.