Filme estrelado por ator baiano vence prêmios de júri e público em festival na Alemanha
09/06/2015 - 21:17
A coprodução brasileira e alemã, “Bach In Brazil”, protagonizada pelo ator e dramaturgo baiano Aldri Anunciação, levou os prêmios de Melhor Filme pelo júri técnico e votação popular no Festival Internationales Filmfest Emden, na Alemanha.
O filme, que teve como cenário cidade de Ouro Preto (MG), é uma comédia dramática dirigida pelo tedesco Ansgar Ahlers. O roteiro parte da história fictícia do um professor de música Marten, vivido pelo ator alemão Edgar Selg, que descobre ser herdeiro de uma partitura original de Johann Sebastian Bach e viaja ao Brasil, mesmo sem muita vontade, para recuperá-la. Em Minas Gerais, após ser assaltado, inicia sua transformação ao encontrar Candido, personagem interpretado por Aldri, que está à frente de um reformatório para crianças.
A partir daí se dá a cooperação, o brasileiro o ajuda a procurar a partitura que veio buscar, além dos documentos e roupas roubados, enquanto o alemão dá aula de música para as crianças. “O filme fala sobre surgimento de forças a partir da crise. Apresenta duas personagens em momento de crise forte, que se juntam e acabam criando força cooperativa muito grande. Isso tem tudo a ver também com o fato de ser uma coprodução com cooperação entre os dois países”, explica o ator baiano, que teve sua escalação para o elenco motivada pelas peculiaridades do papel.
O personagem tinha características muito especificas. E o fato de falar alemão reduziu bastante o universo de atores que cumprissem os requisitos que o diretor queria. Um ator que pudesse assumir, com sotaque mineiro, que falasse alemão. Eles encontraram alguns atores com este perfil e, dentre eles, eu fui o selecionado para assumir o Candido”, conta Aldri Anunciação, cuja relação com o país europeu vem de longas datas.
“A Alemanha entrou na minha vida em 2001, por causa de uma pesquisa na monografia. Queria analisar teatro alemão, começando por Bertold Brecht. De lá pra cá comecei a frequentar a Alemanha, estudar o teatro alemão contemporâneo, fui fazer vários estágios em cidades onde se falava o idioma. Essa travessia foi sempre me aproximando da língua. Posso dizer que o alemão é uma língua que eu falo fluentemente, e a cultura alemã continuou fazendo parte de mim, tanto que a primeira tradução do meu livro ‘Namíbia, Não!’ foi feita para este idioma”, lembra o artista baiano.
Por Jamile Amine / Bahia Noticias