Maio Verde alerta sobre a prevenção e o combate ao glaucoma
12/05/2020 - 23:43

Doença silenciosa causadora de cegueira irreversível reforça a importância do check-up oftalmológico anual
Segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta cerca de 900 mil pessoas no Brasil. Trata-se de uma doença grave, cuja perda – irreversível – do campo visual somente é percebida em estado avançado, quando pode já ter comprometido entre 40% e 50% da visão. Por ser um vilão silencioso, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para conter o desenvolvimento dessa patologia.
Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, que tem seu dia D, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio.
“A doença tem como característica não apresentar sintomas, ou seja, na maioria das vezes o paciente não sente nada, podendo levar meses ou até anos para que venha notar alguma alteração no campo de visão. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais”, explica a oftalmologista, Dra. Rogério Vidal, especialista em glaucoma do DayHORC, empresa do Grupo Opty. Ele ainda reforça que, mesmo em tempos de pandemia, quem tem o problema diagnosticado, não pode deixar de lado o tratamento e o acompanhamento médico.
O oftalmologista conta que o glaucoma é uma doença degenerativa – e não contagiosa – que afeta o nervo óptico. A doença tem como principal fator de risco o aumento da pressão intraocular (dentro dos olhos), mas essa não é a única causa. “É importante esclarecer que o termo ‘glaucoma’ não é sinônimo de pressão ocular elevada, ou seja, a doença pode ocorrer mesmo com níveis normais de pressão intraocular. Outros fatores que devem ser considerados são: idade avançada, história familiar de glaucoma, miopia elevada, diabetes e raça negra”, comenta Dr. Rogério Vidal.
“Deve-se sempre ter hábitos de vida saudáveis e atentar para o uso indiscriminado de colírios compostos por corticoides, facilmente adquiridos nas farmácias e que podem causar glaucoma de difícil controle”, alerta o oftalmologista. No Brasil, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o glaucoma atinge de 2% a 3% dos indivíduos, acima de 40 anos, devendo ocorrer um aumento significativo nos próximos anos.
Para Dr. Rogério Vidal, a mudança na pirâmide etária, com o envelhecimento da população, favorecerá o aumento não somente do glaucoma, mas também de doenças como o diabetes, que impactam de forma semelhante na visão e qualidade de vida do paciente. “Por outro lado, os avanços científicos e tecnológicos caminham em uma velocidade cada vez maior, e a cada ano novas modalidades terapêuticas surgem com o intuito de detectar precocemente a doença ou a retardar a progressão da doença”, diz o oftalmologista.
Tipos de glaucoma – O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto é o principal tipo de glaucoma no Brasil e se caracteriza por ter uma evolução lenta e progressiva, sendo assintomática frequentemente. De forma semelhante, embora mais raro, o Glaucoma de Pressão Normal também é assintomático e pode estar presente em pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Já o Glaucoma de Ângulo Fechado pode causar dor ocular de forte intensidade e perda visual rápida, caso não seja realizado tratamento adequado em tempo hábil. Por fim, o glaucoma pode ocorrer secundariamente a traumatismos oculares, uso de medicações, lesões na retina causadas por complicações do diabetes, inflamações ou tumor.
A maioria dos glaucomas é assintomático, ou seja, o paciente não sente nada nos estágios iniciais. A pressão ocular elevada vai lentamente danificando o nervo da visão, levando a uma perda imperceptível na periferia do campo visual. Quando não tratada, a doença avança e os defeitos de campo visual se estendem para o centro da visão, causando perda irreversível da visão, afetando assim a qualidade de vida do paciente. O glaucoma também pode ser encontrado, apesar de raro, em adolescentes ou adultos jovens, geralmente causando pressões bem elevadas, justificando alguns sintomas como dores de cabeça e a percepção de halos coloridos ao redor de focos luminosos.
Como tratar – Embora não tenha cura, o glaucoma, na maioria dos casos, pode ser controlado com tratamento adequado e contínuo, fazendo com que a perda da visão seja interrompida. Tradicionalmente é necessário o uso de colírios diariamente para controle do glaucoma. Com o avanço de novas tecnologias, hoje é possível oferecer ao paciente um tratamento moderno aos pacientes com glaucoma, através do laser (fototrabeculoplastia), feita no ambulatório, com baixo risco, permitindo a redução da pressão intraocular sem a necessidade do uso de colírios. Na falta de sucesso com o tratamento clínico, existem diversas modalidades cirúrgicas a cirurgia, não com objetivo de curar o glaucoma, mas, sim, o seu controle por meio da normalização da pressão ocular”, afirma Dr. Rogério Vidal. Alguns procedimentos podem ainda ser combinados com a cirurgia de catarata, permitindo a redução do número de colírios utilizados pelo paciente.
Também na infância – O glaucoma é um dos principais motivos da cegueira na infância, sendo responsável por até 20% dos casos, de acordo com estudos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O diagnóstico do glaucoma infantil deve ser suspeitado pelo pediatra ainda na maternidade, logo após o bebê nascer, por meio do simples Teste do Olhinho. “Diferentemente do adulto, o recém-nascido com glaucoma apresenta muitos sintomas, como lacrimejamento, aversão à luz, aumento do tamanho do globo ocular, além da perda do brilho natural dos olhos. Esses indícios surgem mais comumente em qualquer momento durante o primeiro ano de vida”, alerta Dr. Rogério Vidal.
Ao contrário do glaucoma juvenil e adulto, o glaucoma congênito tem grande chance de controle da pressão com a cirurgia angular, se bem indicada e se efetuada com brevidade. É certo que a resposta da cirurgia varia com o quadro clínico da criança e sua gravidade. Na maioria das vezes, o glaucoma infantil vem acompanhado com outras condições sistêmicas ou genéticas que podem dificultar o tratamento.
Quem está no grupo de risco?
Pessoas com mais de 40 anos.
Pacientes com pressão intraocular elevada.
Com histórico de glaucoma na família.
Afrodescendentes são mais suscetíveis ao glaucoma, inclusive às formas de mais difícil controle.
Pacientes com alto grau de miopia.
Pacientes com diabetes, hipertensão arterial e/ou doenças cardíacas.
Que sofreram lesões físicas nos olhos.
Que fazem uso prolongado de medicamentos com corticoide.