Obra em área de restinga coloca família Vorcaro no centro de nova controvérsia ambiental em Porto Seguro

Por Redação / VIA41
20/01/2026 - 12:08

Um vídeo publicado em 14 de janeiro pelo ativista ambiental Tadeu Prosdocimi levantou suspeitas sobre a construção de um beach club na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. As imagens mostram uma clareira aberta em área de restinga, com vegetação suprimida, areia revolvida e troncos cortados. “Crime na cara de todos”, afirmou o ativista ao denunciar o impacto ambiental.

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A obra ocorre às margens da Estrada da Balsa e é realizada pela empresa Milo Investimentos S.A., segundo documentos obtidos pela Agência Pública. A empresa pertence a Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel Vorcaro, banqueiro investigado pela Polícia Federal no caso do Banco Master.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) confirmou a irregularidade da construção. O terreno, com cerca de seis mil metros quadrados, está localizado em área de restinga — considerada Área de Preservação Permanente (APP) — e integra o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro, que é tombado. Por isso, qualquer intervenção exige autorização prévia do órgão federal.

Em vistoria realizada no dia 8 de janeiro de 2026, técnicos do Iphan constataram a supressão integral da vegetação nativa e a continuidade da obra sem licenciamento, já em fase avançada, com piscina e estruturas de madeira. O órgão avalia que a construção pode ser embargada e que, no estágio atual, dificilmente será regularizada. Também há suspeita de que a área se sobreponha a terrenos de marinha, o que exigiria manifestação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Além das questões ambientais, pesa contra o imóvel uma dívida de IPTU desde 2022, o que, pela legislação municipal, impediria a concessão de licenças.

Responsável pela obra, o empresário Genaro Campos afirmou que se trata de uma reforma de um imóvel antigo, com alvará expedido pela Prefeitura em 2024, e negou a supressão de restinga, alegando retirada apenas de vegetação invasora. A Prefeitura de Porto Seguro não se manifestou até a publicação.

O caso ambiental ocorre paralelamente às investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes no Banco Master e tem entre os alvos Henrique e Natalia Vorcaro.

 

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